domingo, 31 de dezembro de 2017

Desejos (também) para 2018



Utopias. Desejam-se utopias neste final de ano. Como se o quedar da noite anunciasse o fim de personalidades e problemas. E o fogo-de-artifício os incinerasse. E houvesse um sol diferente a nascer na madrugada do novo calendário. Desejamos sucesso, num mundo onde cada vez mais se aprecia a arte dos mínimos. Desejamos paz, num mundo onde a guerra rebenta. Desejamos amor, num mundo que se cola cada vez mais à efemeridade de momentos. Desejamos saúde, num mundo onde proliferam doenças antigas e novas, sob os interesses mais ou menos tácitos da indústria farmacêutica. E é tão bom desejar, que nos esquecemos, com facilidade, do papel que temos na construção do que será o amanhã.
Não. Não vos desejo sucesso, paz, saúde e amor. Espero que tenham tudo isto, mas não é isto que vos desejo.
O que desejo é outra coisa.
Desejo que tenham as ferramentas para trabalhar. E o espaço. E a oportunidade. E o alento para se levantarem de manhã. E a coragem de lutarem pelos vossos sonhos. E a capacidade de não deixar para depois o que pode ser feito neste instante. E o prazer da dedicação. E pernas que aguentem a subida dos degraus. E cimento que garanta a estabilidade das vossas construções. O que desejo é que saibam que vos cabe a construção do sucesso.
Desejo que tenham comida sobre a mesa, uma banheira, ou uma cama, ou um sofá onde possam descarregar o cansaço do sucesso. E que tenham, em vós, a amabilidade de tratar do espaço com carinho, continuadamente, para garantirem a paz que desejam. E que, tendo comida sobre a mesa, uma banheira, ou uma cama, ou um sofá, se lembrem também daqueles que a não têm. E saibam dedicar-lhes, se não mais, ao menos um pensamento diário, onde agradeçam pelo privilégio. O caminho da paz faz-se com luta. Nem toda a luta é guerra. Esta é uma luta que se faz de cada vez que, em lugar de olhar para o lado, se encara o mundo de frente, com todas as debilidades, assumindo que a mudança começa dentro de nós.
Desejo que, por entre as constantes debilidades humanas de um corpo frágil, tenham a força de cuidar de vocês. Que saibam quão importante é o cuidado do físico e da alma. Que não tenham medo de correr passadeiras nem de aceitar aventuras. Que aceitem o desafio das cores nos vossos pratos. Que tenham sempre pastilhas para a garganta, analgésicos para as pequenas dores e um serviço de saúde que cuide de tudo o que não se trata com exercício, alimentação e medicamentos de venda livre. E que tenham o discernimento de saberem identificar as sintomáticas. E que tenham a coragem de procurar ajuda quando for necessário.
Desejo que, a par com os medicamentos, a comida sobre a mesa, a banheira, ou a cama, ou o sofá; tenham também dois braços à vossa espera. Mas, acima de tudo, que sejam dois braços à espera de alguém. O amor não é algo que se recebe mas antes algo que se constrói. E nem sempre é fácil. Nem sempre é como os romances. Por isso, desejo que tenham calma, paciência e vinte doses de ternura, de carinho e de entendimento; para regarem o vosso amor e o deixarem crescer, até formar dois braços que se abrem e dois braços que se abram por vocês.
O que vos desejo, para o ano que chega, é que saibam que a mudança de um dia no calendário não pode trazer-vos nada. Mas vocês podem trazer a vocês mesmos o mundo. E hoje é um dia tão bom para começar como outro qualquer.


Sejam felizes (também) em 2018.


Marina Ferraz


*Imagem retirada da Internet


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